Era um daqueles sábados em que os amigos se encontravam para colocar o papo em dia,
mas nesse em especial foi um reencontro regado a cervejas, degustação de carnes na
grelha e o cheiro de perfumes misturados com fumaça. Raul, Zé, Reinaldo, Rogério e Jones
estavam reunidos na casa do anfitrião, Jones. Conversavam sobre a vida, relembravam
alguns momentos do passado e do presente, faziam planos e davam boas risadas.
— Hey, Zé, vi um supermercado que você não pode entrar. – disse Raul ainda se
recuperando do gole de cerveja.
— Quê? — perguntou Zé, curioso, pois não viu nenhuma super zoeira sendo feita naquele
momento.
— O supermercado Mariana — respondeu Raul caindo na gargalhada, seguido de Reinaldo
e Rogério que também entenderam a piada.
José, educadamente fez um breve esclarecimento para Jones sobre a piada de Raul, nesse
intervalo de cervejas, carnes e risadas, o tempo começou a esfriar e eles decidiram que já
era hora de ir embora. Nisso, Zé, com a habilidade de um cowboy, sacou o celular e
convidou os demais para irem embora:
— Beleza, cambada, o nosso Uber já está vindo. O nome do motorista é... Ovídio.
— Ovídio? Não foi um imperador romano? — questionou Reinaldo.
— Não, deve ser nome de remédio para infecção urinária — completou Jones.
Zé deu umas pequenas piadas e seguiu olhando os detalhes do motorista e então disse:
— Pessoal, vai rindo aí. Olhem só, na avaliação tem um detalhe: “O motorista tem leve
problema de audição.”
Foi um momento de silêncio, daqueles que todos respeitam, sabendo que pode anteceder a
tragédia ou a genialidade. E então, com um olhar confuso de quem busca lógica no
absurdo, Raul soltou com uma expressão de quem acabara de fazer uma descoberta:
— Mas como é possível ele ser surdo... e se chamar Ovídio?
A frase ecoou no ar como um trovão, Zé ficou em silêncio, engoliu o riso, coçou o rosto,
fechou os olhos e respirou fundo. Raul não se segurou e abriu a boca para rir, mas sua
piada já tinha matado os outros de tanto rir. José, tentando manter a compostura, disse:
— Raul, pelo amor de Deus, o nome do cara não tem nada a ver com audição!
— Ué, não tem como ele ser surdo e ainda por cima se chamar Ovídio! — insistiu Raul na
piada, tentando parecer sério, mas já rindo junto com os outros.
— Raul, é por isso que você está escorregando pro inferno... e estamos indo também —
E assim foi, com piadas, risadas, um até logo, que os quatro entraram no carro com Ovídio.
O tal do motorista realmente tinha uma leve limitação auditiva, mas guiava ouvindo o som
do rádio baixinho.
Essa foi mais uma história fictícia com pitadas de realidade — daquelas que só os cinco
amigos vão se lembrar, entre uma piada ruim e uma gargalhada verdadeira.
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