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5 de maio de 2022

NAS RUAS

Na penumbra da rua há meninas
Que tem os seus corpos para o pecado
E os seus sentimentos não importam
Cafajestes violam seus buracos sem respeito
Eles cospem e gozam nelas todas as noites
Depois depositam uma grana de consolação

Na penumbra da rua há meninos
Que tem os seus corpos espancados
E não tem direitos de resposta
Os cafajestes os torturam
Eles pisoteiam e disparam tiros
Depois abandonam os corpos

Há cafajestes nesta cidade
Que cospem nos meninos
Há cafajestes nesta cidade
Que pisoteiam nas meninas
Depois fogem limpando o sangue das suas roupas
Depois lavam suas mãos e os seus rostos

Na penumbra da rua há você
Alguém vai se aproximar
Não vai te dizer nada
Irá te abordar sem pestanejar
Você não vai ter nenhuma reação
Depois por sorte você continuará com vida?

Na penumbra da rua tem alguém?
Quem é e o que faz lá?
Será que vai aparecer os cafajestes também?
O que eles vão fazer?
Mas o que importa?
Depois não vai existirão notícias no jornal

Arthur Claro


Essa poesia é mais uma das que fiz para falar sobre a violência que acontece diariamente nas cidades, eu pouco assisto jornal, leio notícias e mesmo assim vejo sempre casos sobre o que escrevi na poesia, eu por mais que seja desapegado a informação, eu me informo bem para poder saber o que esta acontecendo com o mundo ao meu redor, não sou um exemplo a ser seguido, só acho que as notícias se repetem só mudam os anos que são publicadas, se alguém quiser que eu faça um post sobre este meu ponto de vista deixa nos comentários. Sobre a poesia, quero dizer que ela foi criada como uma reflexão sobre a violência e as motivações da existência dela.

1 de agosto de 2019

MAIS UM DIA NA PACATA CIDADE INTERIORANA

Amanheceu na pacata Aimoré do Sul
O galo cacareja, o cachorro late e a vaca mu...
As esposas dedicadas preparam o café
Os homens trabalhadores estão indo para a fábrica
As crianças vão para a aula de matemática
O padre com louvor declama a palavra da fé

Os apaixonados se beijam na praça da igreja
Os bebuns no boteco bebem cerveja
Algumas anciãs fazem tricôs, crochês e futricas
Crianças brincam de bola na rua de paralelepípedo
Mas todo mundo quer ouvir as histórias do velho Alfredo
Elas são emocionantes e nem sempre verídicas

A cidade na quermesse se diverte
Vinho quente, bingo e troca de bilhete
Pescaria, pamonha e missa do Padre Cristiano
Frango assado, quentão e fogueira
Tem até bebê mamando mamadeira
É a comemoração mais esperada do ano

A tranquilidade reina na pacata cidade interiorana
É assim que é a felicidade provinciana
Todo mundo preza pelas verdadeiras amizades 
Nem todos querem sair desta cidade maravilhosa
Pois sempre tem alguém para uma amistosa prosa
Quem partiu volta cheio de saudades

Arthur Claro

Essa poesia foi criada a partir do nome da cidade fictícia que criei para um projeto de livro, sim a cidade "Aimoré do Sul" não existe. Hoje não irei colocar imagem para ilustrar, pois infelizmente não tem fotos da minha cidade fictícia.

29 de dezembro de 2016

SAUDADES DO TEMPO QUE TINHA MEMÓRIA


Cidadezinha do interior
Veja a igreja matriz
A praça está cheia de juventude
Raras casinhas uma do lado da outra
Todos os moradores se conhecem
No mercadinho tem de tudo

Alegria geral no aniversário da cidade
Os namorados passeiam sossegados pela noite
A chegada da TV causou felicidade nos lares
Três rendeiras fazem fofocas discretas
No botequim há bebidas e uma mesa de sinuca
Crianças brincam de esconde-esconde

Ai que saudades
Saudades do tempo que tinha memória
Quero voltar para a cidadezinha do interior
Ver as pessoas simples
Ai que saudades
Saudades de São Simão

Arthur Claro

Essa poesia foi criada depois que eu fiz uma brincadeira com uma menina que estudou comigo na época que eu fiz cursinho pré-vestibular, falando que a cidade dela era pequena e que tinha tudo perto e que alguns fatos descritos na poesia é só um modo de dizer que a cidade é interiorana e não totalmente jocosa, a foto é a vista aérea da cidade que eu encontrei no Google. Sim a cidade de São Simão é real e tem foto da vista aérea no Google. Algum dia quem sabe eu conheça esta cidade. A poesia também foi criada de forma que fosse um velho morador da cidade relembrando do tempo que era mais moço. 

23 de junho de 2016

A LEI



A lei lá na floresta é cruel
Olho por olho e dente por dente
O leão mata para sobreviver
E ele sobrevive para matar
A cada dia um novo duelo surge
Caça e caçador sempre mudando de posição

A lei lá na cidade é diferente
Poucos são presos por seus crimes
Outros crimes nem são julgados
Os homens de farda tentam proibir
Só proíbem quando interessa prestar serviço
Dizem que a justiça é cega e surda

Arthur Claro

Essa poesia foi criada por vontade de me expressar sobre a lei, nada demais e nada haver com a música que está antes da poesia.