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1 de agosto de 2024

LEMBRANÇA DO BEIJO

Éramos dois melhores amigos
Conversas e risadas sem limites
Nos conhecemos ainda pequenos
Nossas casas eram geminadas
Um começava a piada e outro completava
Não tínhamos segredos e nem medos

Eu sempre fui tímido
Enquanto você sempre desinibido
Mas aquele beijo escondido me libertou
Senti você também se libertar
Nossas línguas eram livres nas nossas bocas
Momentaneamente estávamos invisíveis no mundo

Senti o seu coração sincronizar com o meu
Nossas mãos se perdiam em nossos corpos
Ouso dizer que nossos membros endureceram
Um beijo que durou minutos que pareceram horas
Não quero fingir que não aconteceu
Mas posso esperar para gritar ao vento

Me diga o que sentiu
Me fale o que sente
Quero saber se é recíproco
Não quero criar deduções
O nosso beijo não te torna "menos" homem
E sim mais humano

Eu sou bissexual e me sinto feliz
Amo meninos e meninas igualmente
Não me sinto confuso
Me sinto livre para amar e ser amado
Estarei aqui para te ouvir
E também te fazer sorrir

Arthur Claro


Essa poesia foi criada à partir de uma ideia que tive pensando em um rapaz que se descobre bissexual e se lembra do beijo inocente porém prazeroso no seu melhor amigo, não é nenhuma lembrança minha.

5 de maio de 2022

NAS RUAS

Na penumbra da rua há meninas
Que tem os seus corpos para o pecado
E os seus sentimentos não importam
Cafajestes violam seus buracos sem respeito
Eles cospem e gozam nelas todas as noites
Depois depositam uma grana de consolação

Na penumbra da rua há meninos
Que tem os seus corpos espancados
E não tem direitos de resposta
Os cafajestes os torturam
Eles pisoteiam e disparam tiros
Depois abandonam os corpos

Há cafajestes nesta cidade
Que cospem nos meninos
Há cafajestes nesta cidade
Que pisoteiam nas meninas
Depois fogem limpando o sangue das suas roupas
Depois lavam suas mãos e os seus rostos

Na penumbra da rua há você
Alguém vai se aproximar
Não vai te dizer nada
Irá te abordar sem pestanejar
Você não vai ter nenhuma reação
Depois por sorte você continuará com vida?

Na penumbra da rua tem alguém?
Quem é e o que faz lá?
Será que vai aparecer os cafajestes também?
O que eles vão fazer?
Mas o que importa?
Depois não vai existirão notícias no jornal

Arthur Claro


Essa poesia é mais uma das que fiz para falar sobre a violência que acontece diariamente nas cidades, eu pouco assisto jornal, leio notícias e mesmo assim vejo sempre casos sobre o que escrevi na poesia, eu por mais que seja desapegado a informação, eu me informo bem para poder saber o que esta acontecendo com o mundo ao meu redor, não sou um exemplo a ser seguido, só acho que as notícias se repetem só mudam os anos que são publicadas, se alguém quiser que eu faça um post sobre este meu ponto de vista deixa nos comentários. Sobre a poesia, quero dizer que ela foi criada como uma reflexão sobre a violência e as motivações da existência dela.